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Todo gestor tem um.
Aquele profissional que entrega. Bate meta, resolve o abacaxi que ninguém quer pegar, salva o mês no dia 30. Você confia o caso difícil a ele porque sabe que volta resolvido. No papel, é o sonho de qualquer líder. Só que tem o outro lado. Cada vez que ele passa, alguma coisa no time se fecha. Corta o colega na reunião, trata o pessoal de outra área como estorvo, ironiza quem erra e deixa no ar, o tempo todo, que carrega a operação nas costas. A equipe reclama pelos cantos. E você faz vista grossa. Porque ele entrega. Já parou pra pensar quanto esse arranjo custa? O talento vira intocável O que acontece na prática é curioso. Quanto melhor o resultado dele, mais poder informal ele acumula. Ele percebe que a régua é a meta, e que enquanto a meta bate, o comportamento passa. Aos poucos, deixa de ser um liderado e vira uma espécie de sócio que você não pode contrariar. E aqui mora a armadilha. Você começa a gerenciar a equipe inteira em função de uma pessoa. Evita puxar certos assuntos pra não irritá-lo. Segura feedbacks. Até distribui tarefa pensando em não desagradar. Quando se dá conta, quem manda na sua área não é você. É o medo de perder o intocável. A conta que ninguém coloca no papel O problema de tolerar isso é que a fatura não chega de uma vez. Ela vem parcelada, e em silêncio nenhum, bem barulhenta pra quem sabe ouvir. Primeiro, a equipe aprende a lição errada. Se o cara que humilha os outros é o mais valorizado, a mensagem que fica é clara: aqui, resultado compra o direito de maltratar. Os que têm caráter se calam ou vão embora. Os que ficam, muitos começam a imitar o modelo que dá certo. Segundo, você perde autoridade moral. Não adianta pregar respeito e colaboração numa reunião e, na prática, proteger justamente quem viola isso todo dia. As pessoas não seguem o seu discurso. Seguem o que você tolera. Terceiro, sua dependência aumenta. Cada mês que você terceiriza o resultado pra ele é um mês em que a área fica mais frágil, mais refém, menos capaz de girar sem aquela peça. Você acha que ganhou um talento. De fato, criou um monstro difícil de conter. Duas coisas que todo desempenho carrega Aqui vale uma distinção que uso muito na mentoria. Desempenho não é só resultado. Desempenho é resultado mais comportamento. São dois eixos, não um. Cruzando os dois, aparecem quatro tipos de liderado. Quem entrega pouco e também contamina o clima é o caso mais fácil, todo mundo enxerga e ninguém defende. Quem entrega muito e soma ao time é o profissional dos sonhos. O quadrante enganoso, o que trava o gestor, é esse terceiro: entrega muito e comportamento ruim. Ele engana porque o resultado ofusca o custo. Você olha para o número, fica aliviado, e escolhe não olhar para o rastro que ele deixa. Só que comportamento também é entregável. Um profissional sênior não é pago só para produzir, é pago também para elevar quem está ao redor, ou no mínimo para não derrubar. Quando isso não entra na conta da avaliação, você está avaliando metade da pessoa. O que fazer, na ordem certa Ninguém aqui está falando em demitir o talento no dia seguinte. O ponto é parar de gerenciar no automático e assumir de volta a direção da sua área. Alguns passos ajudam.
E aqui a parte dura. Se, depois de conduzido com clareza, ele escolher não mudar, segurar por medo é a pior decisão. Talento que exige o sacrifício do time inteiro sai mais caro do que a vaga aberta que ele deixa. Muitos gestores só descobrem isso depois que a pessoa vai embora, e a área respira, produz e ninguém sente falta do caos. Antes de mirar nele, olhe no espelho Tem um detalhe incômodo nessa história. Em muitos casos, o intocável não nasceu intocável. Ele foi criado. Quando o líder elogia só o número e nunca cobra o trato com as pessoas, ele ensina que só o número importa. Quando terceiriza os problemas difíceis sempre pro mesmo, ele constrói a própria dependência. Quando evita o conflito hoje para não estragar o clima, ele garante um conflito maior lá na frente. Por isso, antes de decidir o que fazer com o seu melhor liderado, vale uma pergunta honesta: o quanto do comportamento dele é a resposta que ele aprendeu a dar ao ambiente que você criou? Liderar gente que entrega e desagrega é uma das provas mais difíceis da gestão. Exige método para separar o que é resultado do que é comportamento, e exige autoridade interior para sustentar o padrão mesmo quando isso significa arriscar o número do mês. Fica aqui o meu convite. Se você tem hoje um talento assim na equipe e sente que já perdeu o controle da situação, o primeiro passo é enxergar com clareza onde a sua gestão está cedendo. É pra isso que serve o Diagnóstico de Modelagem Gerencial. Assim como você iria a um médico especialista antes de decidir um tratamento, o diagnóstico mostra o que está por trás dos sintomas da sua área antes de qualquer plano de ação. Solicite o seu gratuitamente neste link. |
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AutorRicardo Mallet é consultor empresarial e mentor de líderes. Arquivos
Julho 2026
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